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As palavras do papa no ângelus: O sudário não tem bolsos

   03/03/2014
Fonte: www.zenit.org   

Como todo domingo, o papa Francisco rezou o ângelus da janela do Palácio Apostólico diante da multidão de fiéis e peregrinos vindos do mundo inteiro. Reunidos na Praça de São Pedro, eles o acolheram com um longo e caloroso aplauso. O pontífice lhes disse:

 


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No centro da liturgia deste domingo, encontramos uma das verdades mais reconfortantes: a Divina Providência. O profeta Isaías a apresenta com a imagem do amor materno cheio de ternura: “Por acaso pode a mãe esquecer-se do seu filho? Não se compadece a mãe do filho das suas entranhas? Mas, ainda que ela se esquecesse, eu não te esquecerei” (49,15). Como isto é belo! Deus não se esquece de nós! De nenhum de nós! De nenhum de nós! Com nome e sobrenome. Ele nos ama e não se esquece. Que lindo pensamento! Este convite à confiança em Deus encontra um paralelo na página do Evangelho de Mateus: “Olhai as aves do céu”, diz Jesus. “Elas não semeiam, nem colhem, nem armazenam em celeiros; e o vosso Pai celestial as alimenta (...) Olhai os lírios do campo, como crescem; não se fadigam, nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só deles” (Mt 6, 26.28-29).

 


Pensando em tanta gente que vive em condições de precariedade, ou mesmo na miséria que ofende a sua dignidade, estas palavras de Jesus poderiam parecer abstratas, quando não ilusórias. Mas, na realidade, elas são mais atuais do que nunca! Elas nos lembram que não podemos servir a dois senhores: Deus e a riqueza. Enquanto cada um procurar acumular para si, jamais haverá justiça. Temos que ouvir bem isto: enquanto cada um procurar acumular para si, jamais haverá justiça. Mas se, confiando na providência de Deus, procurarmos juntos o seu Reino, então ninguém ficará sem o necessário para viver dignamente.

 


Um coração ocupado pela fúria de possuir é um coração cheio dessa fúria de possuir, mas vazio de Deus. Por isso, Jesus advertiu várias vezes aos ricos, porque, neles, é forte o risco de colocar a própria segurança nos bens deste mundo. Em um coração possuído pelas riquezas, não há mais espaço para a fé. Mas se dermos a Deus o lugar que cabe a ele, ou seja, o primeiro lugar, então o seu amor nos levará a compartilhar também as riquezas, a colocá-las a serviço de projetos de solidariedade e de desenvolvimento, como demostram tantos exemplos, inclusive recentes, na história da Igreja. E, assim, a providência de Deus se realiza através do nosso serviço aos outros, do nosso compartilhar com os outros. Se cada um de nós não acumular riquezas só para si, mas as puser a serviço dos outros, a Providência de Deus se tornará visível como gesto de solidariedade. E quando alguém acumula só para si, o que lhe acontecerá? Quando ele for chamado por Deus, não poderá levar as riquezas com ele. Porque vocês sabem: o sudário não tem bolsos! É melhor compartilhar, porque nós levamos para o céu só o que compartilhamos com os outros.

 


O caminho que Jesus indica pode parecer pouco realista diante da mentalidade comum e dos problemas da crise econômica. Mas, se pensarmos bem, é ele que nos leva à escala justa de valores. Ele diz: “Não vale mais a vida do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?” (Mt 6, 25). Para que ninguém fique sem pão, sem água, sem vestes, sem casa, sem trabalho, sem saúde, é necessário que todos nos reconheçamos filhos do Pai que está no céu e, portanto, irmãos entre nós, e nos comportemos em coerência. Eu recordei, na Mensagem da Paz do dia 1º de janeiro: o caminho para a paz é a fraternidade. Caminhar juntos, compartilhar as coisas.

 


À luz da Palavra de Deus deste domingo, invoquemos a Virgem Maria como Mãe da Divina Providência. A ela confiemos a nossa existência, o caminho da Igreja e da humanidade. Em particular, invoquemos a sua intercessão para que todos nos esforcemos para viver com um estilo simples e sóbrio, com o olhar atento às necessidades dos irmãos mais necessitados.

 


* * *

Depois destas palavras, o Santo Padre rezou o ângelus. Ao terminar a oração, Francisco fez um chamamento à comunidade internacional para resolver a delicada situação que a Ucrânia vem atravessando:

 


Queridos irmãos e irmãs,

Peço que continuem rezando pela Ucrânia, que está vivendo uma situação delicada. Enquanto desejo que todas as partes do país se esmerem para superar as incompreensões e construir juntas o futuro da nação, dirijo um premente apelo à comunidade internacional para apoiar toda iniciativa em favor do diálogo e da concórdia

 

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A seguir, chegou a hora das saudações que o papa tradicionalmente faz aos peregrinos:


Dirijo uma cordial saudação às famílias, grupos paroquiais, associações e todos os peregrinos vindos da Itália e de diversos países. Saúdo os fiéis espanhóis provenientes das dioceses de Valladolid e Ibiza, assim como os italianos de Amantea, Brescia, Cremona, Terni, Lonate e Ferno, e o coral de Tassullo. Saúdo os numerosos grupos de jovens das dioceses de Como, Vicenza, Padova, Lodi, Cuneo e Cremona.

 


Francisco dedicou palavras especiais aos grupos de crisma presentes na Praça de São Pedro:


Queridos jovens, alguns de vocês receberam há pouco a confirmação ou estão se preparando para recebê-la; outros farão a profissão de fé e estão envolvidos nos seus oratórios.

 


Queridos jovens, que a sua relação com Jesus seja cada vez mais firme e profunda, para dar muito fruto! Coragem, queridos jovens!

 


Por último, o Santo Padre recordou que, nesta semana, começa a quaresma:


Nesta semana começaremos a quaresma, que é o caminho do Povo de Deus rumo à Páscoa; um caminho de conversão, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum e da misericórdia. A humanidade precisa de justiça, de reconciliação e de paz, e só conseguirá alcançá-las voltando-se com tudo ao coração de Deus, que é o seu manancial. Todos nós precisamos do perdão de Deus. Entremos na quaresma com um espírito de adoração a Deus e de solidariedade fraterna para com aqueles que, nestes tempos, estão sendo mais provados pela indigência e pelos conflitos violentos.

 


Como de costume, o papa Francisco encerrou dizendo:

"A tutti, a tutti voi, auguro uma buona domenica e buon pranzo. Arrivederci!" (Desejo a todos, todos vocês, um bom domingo e um bom almoço. Até breve!)

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