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Claudio Hummes: Papa Francisco interpela a formação dos presbíteros

   23/01/2014
Fonte: www.crbnacional.org.br   

Por Jaime C. Patias| 22.01.14|


Os participantes do 2º Seminário sobre a Formação Presbiteral, que acontece em Aparecida, (SP), receberam na manhã desta quarta-feira, dia 22, o cardeal dom Cláudio Hummes, presidente da Comissão para a Amazônia e prefeito emérito da Congregação para o Clero que, em conferência, apresentou interpelações do papa Francisco sobre a formação. Segundo dom Cláudio, a renúncia do papa Bento XVI e a eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio, seu amigo pessoal, “abriu a Igreja para grandes novidades e para enormes desafios de inculturação. A partir de então, tornava-se mais fácil fechar velhas portas, histórica e culturalmente ultrapassadas, e abrir portas novas, mais condizentes com o mundo atual e o futuro”.

 


Novo papa, novo tempo

Na opinião de dom Cláudio, Francisco começou por reformar a própria figura do papa e seu ministério. “O nome Francisco, em memória de São Francisco de Assis e sua relação com os pobres, representou para o papa uma identidade espiritual e ministerial intensa e por isso um programa de pastoreio”.

 


 

Suas vestes, despojadas e pobres, o lugar onde foi morar, a escolha de carro mais simples, suas expressões, imediatamente mostravam a simplicidade. “Tudo isso são grandes interpelações para a formação de nossos seminaristas. O Papa ensina a sermos pastores. Ensina com seu exemplo e sua palavra”, observou dom Cláudio e questionou: “Isso já te interpelou? Já mudou alguma coisa em ti?

 

 

  

 

Em seguida, o cardeal recordou alguns apelos do papa Francisco sobre a formação dos ministros ordenados quando interpelou os bispos brasileiros durante a JMJ Rio 2013. “Queridos irmãos, se não formarmos ministros capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de dialogar com as suas ilusões e desilusões, de recompor as suas desintegrações, o que poderemos esperar para o caminho presente e futuro?” E ainda: “É preciso ter a coragem de levar a fundo uma revisão das estruturas de formação e preparação do clero [...] da Igreja no Brasil (...). A situação atual exige uma formação qualificada em todos os níveis

 

 

 


A escassez de padres

Sobre a escassez de padres, dom Cláudio observou que o crescimento dos sacerdotes não está acompanhando o crescimento dos católicos e da humanidade. No Brasil temos 5.548 seminaristas, para mais de 10 mil paróquias. Contudo, “devemos reformular nosso esquema de pastoral para os tempos de hoje. Assim o indica claramente Aparecida e agora com mais insistência o papa Francisco. A Igreja deve ser missionária e estar mais próxima do povo”.

 


 

Na opinião de dom Cláudio, ao mesmo tempo em que se preocupa com a escassez do clero, o papa Francisco alerta: “hoje temos noção mais clara da necessidade de uma melhor seleção dos candidatos ao sacerdócio. Não se podem encher os seminários com qualquer tipo de motivações, e menos ainda se estas estão relacionadas com insegurança afetiva, busca de formas de poder, glória humana ou bem-estar econômico” (EG,107).

 


Ao falar especificamente sobre as interpelações do Papa Francisco quanto à formação presbiteral, dom Cláudio recordou que, “a Igreja deve ir às periferias geográficas e existenciais”. O Papa quer uma Igreja que saia “em busca dos desvalidos e dos mergulhados na miséria, na fome, no descaso, no abandono, na noite da desesperança seja material seja espiritual. Portanto, uma Igreja misericordiosa e missionária, uma Igreja próxima, capaz de aquecer os corações, como Jesus aqueceu os corações dos discípulos desesperançados de Emaús”, destacou.

 


Nessa perspectiva, o papa quer “padres que vão às periferias, com alegria, com determinação e coragem, fazem desta prática seu dia a dia e encorajam os membros de sua comunidade a ir com eles, ainda que isto lhes custe despojamento e disponibilidade constantes”, frisou o cardeal.

 


 

Para dom Cláudio, um dos grandes obstáculos para reformar a figura do pastor é vencer a “mundanidade” espiritual, cuja característica maior está na autorreferencialidade. “A doença típica da Igreja fechada é ser autorreferencial; olhar para si mesma”, disse, citando mais uma vez o papa Francisco.

 


A missionariedade

Outro aspecto importante destacado pelo cardeal foi a dimensão missionária na vida dos presbíteros. “O ser discípulo missionário é vocação de todos os cristãos, mas sobretudo dos pastores. Logo se percebe que é preciso ser bom discípulo para ser bom missionário, ainda que ao mesmo tempo o ser missionário alimente e desenvolva o discipulado. Nós, pastores, somos de modo particular chamados a ser discípulos”, afirmou e lembrou a necessidade de educar os seminaristas “para a missão, para sair, para partir, para levar a fé às ruas”, insistiu.

 


Igreja pobre e para os pobres

Por fim, o padre missionário não só prega, mas deve dar também testemunho de sua fé, à medida que pratica a caridade. Nesse sentido, dom Cláudio alertou para o risco de ficarmos apenas em reflexões, congressos e documentos e encorajou: “Ponhamos mãos à obra para preparar presbíteros para uma Igreja missionária, misericordiosa, pobre e para os pobres. Uma Igreja que vá às periferias, com alegria, convicção, amor e ternura. Nossos seminaristas deveriam ser levados sistematicamente para o meio dos pobres e ajudados a descobrir como é fundamental que a Igreja esteja junto aos pobres e excluídos”, disse.

 


Demonstrando preocupação com a prática dos ensinamentos do papa Francisco, dom Cláudio pôs mais uma última questão. “Como formar o seminarista para que não aspire a uma vida cômoda, tranquila, na futura casa paroquial, não busque o dinheiro, a boa comida, o luxo, não queira ter o melhor carro, não veja os paramentos como enfeite do padre, mas como símbolo religioso e por isso evite paramentos esplendorosos, cheios de bijuterias, de brilhos, de rendas?”

 


O Seminário é promovido pela Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) e conta com a participação de 200 pessoas de todo o Brasil, entre padres, seminaristas, religiosos, leigos e bispos. Participam ainda, psicólogos, representantes do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e das Pontifícias Obras Missionárias (POM), dentre outros. Os trabalhos iniciaram na noite da última segunda-feira, dia 20, e se estendem até sábado, 25.

 


Fonte: Assessoria de Comunicação do Seminário

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