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Emoção no sepultamento de Frei Moser

   11/03/2016
Fonte: http://www.franciscanos.org.br/   

Frei Rafael T. do Nascimento (texto) e Frei Leandro Costa Santos (fotos)

Petrópolis (RJ) – A quarta-feira, 9 de março de 2016, começou com uma triste surpresa para a família franciscana: perdíamos o Frei Antônio Moser, vítima da violência urbana quando passava por Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em direção a São Paulo para um compromisso.

Toda a manhã e tarde foram momentos difíceis. O corpo do Fr. Moser chegou à igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, às 20:30, quando então, junto com a comunidade e a igreja cheia, os frades cantaram o Ofício dos Fiéis Defuntos. O velório prosseguiu até mais tarde, quando chegaram seus familiares, vindos do Sul. Sua irmã, Maria Moser, religiosa da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição (fundada pela Santa Madre Paulina) chegou pela manhã.

 

O dia seguinte foi de oração e homenagens ao Frei Antônio. Os frades, com o povo presente, cantaram juntos as Laudes do Ofício dos Defuntos e às 13:30 horas o corpo do franciscano foi transladado para a Catedral de Petrópolis. Durante o cortejo, algumas pessoas, do alto das janelas de seus apartamentos, agitavam bandeiras brancas, saudando pela última vez a Frei Moser.

A “Celebração da acolhida de Frei Antônio Moser na misericórdia de Deus”, como chamou seu colega de seminário e estudos, Dom Fernando Antônio Figueiredo, foi presidida por ele e concelebrada por D. Gregório Paixão, bispo de Petrópolis, D. Tarcísio Nascentes dos Santos, bispo de Duque de Caxias, D. Luciano Bergamin, da Diocese de Nova Iguaçu, Dom Benedito Araújo, de Guajará-Mirim, Ro, e  Fei Fidêncio Vamboemmel, último Ministro Provincial do Frei Antônio. Estavam presentes também no presbitério, os padres da Diocese de Petrópolis, de outras dioceses (especialmente os que atuam como professores do Instituto Teológico Franciscano – ITF) e confrades do Fr. Moser.

A homilia de D. Fernando foi muito breve dada a comoção que lhe embargava algumas vezes a voz. Segundo o religioso, “a morte de um parente, de um amigo, de um confrade nos causa tristeza, mas jamais desespero”. Lembrando seu jeito todo próprio, disse que seus pais o queriam como a um filho e que “apressadinho, de espírito livre, era um amigo sincero”. Já bastante emocionado, lembrou que “a esperança nos concede essa grande graça, a do reencontro com ele, por que nossa amizade não foi fugaz, mas se perpetuou no amor de Deus”. Agradeceu então a seu amigo pela amizade, desejando-lhe Paz e Bem. Pediu então uma salva de palmas para o Frei Antônio.

Ao final da celebração, D. Fernando pediu que continuassem a rezar por Fr. Moser: “continuemos a rezar, a união não passa!” O presidente pediu então a Frei Fidêncio que conduzisse as orações finais. Tomando a palavra, o Provincial lembrou que “precisamos de um tempo de silêncio para discernir a vontade de Deus, o que é difícil nessa hora; precisamos de silêncio para curtir o silêncio do Frei Antônio Moser; precisamos de silêncio para compreender não só a violência que se abateu sobre nossa família franciscana, mas sobre toda a sociedade. Não um silêncio covarde, mas um silêncio profético”.

Igualmente emocionado, agradeceu o irmão dado por Deus, o companheiro necessário, o homem de fé. Agradeceu o carinho e cuidado que teve com o ITF e toda a paixão para com a Editora Vozes, “pois acreditava que a evangelização também passa pela leitura de bons livros”. Agradeceu o cuidado com os pobres, materializado no Centro Educacional Terra Santa, no qual se empenhava para conseguir recursos – que lamentava estarem cada vez mais difíceis nos últimos tempos, lembra Fr. Fidêncio. Agradeceu aos presentes que manifestavam seu carinho, à família, aos padres e bispos e a D. Fernando, seu antigo mestre e professor de teologia.

Fr. Fidêncio chamou todos os frades para ficarem à volta do caixão para cantarem junto com o coral dos Meninos Cantores de Petrópolis (Canarinhos) o “Cântico do Irmão Sol”. Terminado o canto, foi feita a oração de encomendação do corpo do confrade.

À saída da celebração, D. Gregório propôs que o corpo do Fr. Antônio Moser fosse levado não pelo caminhão dos bombeiros, que já estava preparado, mas carregado pelas ruas da cidade pelo povo. O trânsito parou. Mais pessoas agitavam panos brancos de suas janelas. Quem estava nos bares ou lojas – ou mesmo dentro dos ônibus – pararam em respeito e homenagem, como que lembrando a conhecida canção de Chico Buarque, “A banda”.

Já no cemitério dos frades, ao lado do Cemitério Municipal, Fr. Elói Dionísio Piva, o último guardião de Fr. Moser, abençoou a sepultura, recordando que para o apóstolo Paulo, esta era como uma sementeira, onde se coloca um corpo corruptível e nasce um outro, glorioso.

Foi sepultado sob aplausos de todos os presentes, que cantavam, juntos e emocionados, “Imaculada, Maria de Deus”.

Frei Antônio Moser, nosso professor, confrade, amigo, descanse em paz!

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