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Indignação e zelo pela causa do Reino



Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

O terceiro domingo da Quaresma apresenta uma cena singular e inédita: Jesus se indigna com os vendilhões do Templo, e com um açoite derruba a suas bancas e os expulsa. Gesto profético que realiza o que está no Sl. 68,10, o texto do profeta Isaías 56,7 e a passagem de Zacarias 14,21, consumir-se de zelo pela Casa do Senhor. Muitas vezes esquecemos que no seguimento a Cristo somos convidados a termos os mesmos sentimentos, atitudes e opções que realizou na sua missão salvadora e libertadora.

 

Na Quaresma retomamos o projeto de Aliança do Pai, que nos leva a romper com as idolatrias que deturpam o verdadeiro culto de justiça, misericórdia e verdade. A conversão passa necessariamente por expulsarmos os vendilhões e os mercadores dentro da nossa alma, os desejos de cobiça, dominação, consumismo, mas também nos impele para a mudança profunda da nossa vida pastoral e eclesial, tornando nossas comunidades servidoras e desapegadas no amor aos pobres e necessitados.

A rever nossa forma de celebrar e orar, adorando e vivenciando a presença do Senhor na comunhão, na fraternidade e muito especialmente no Pão Eucarístico repartido e partilhado. Mas no impulso e motivação da Campanha da Fraternidade 2015, assumindo nosso dever de cidadãos e cristãos, queremos também expulsar os vendilhões e corruptos do espaço público, promovendo o debate e a reflexão sobre a reforma política, para evitar a ditadura do poder econômico que dá as cartas nas eleições. Purificar a vida política no nosso país, é ajudar a formar cidadãos íntegros, fieis aos princípios cristãos da justiça, do bem comum, da solidariedade e participação.

Ajudar na construção e renovação dos partidos, numa perspectiva democrática e ética, amarrando a estas organizações cívicas programas autênticos, centrados em valores, princípios e diretrizes humanistas. Trata-se ainda de valorizar e respeitar o templo da família, sendo fieis ao seu DNA divino, fortalecendo sua estrutura essencial, amparando e garantindo seus direitos no plano da educação, saúde, trabalho e moradia, lembrando que sem família não há Pátria, pois o que é a Pátria senão a família amplificada como afirmava Rui Barbosa. Que sintamos como Jesus uma santa indignação e um zelo profético contra tudo aquilo que fere a dignidade humana, a tudo aquilo que se opõe a Aliança amorosa e salvadora do Pai. Deus seja louvado!

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