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Mensagem de Posse de Dom Neri



Queridos irmãos e irmãs na paz de nosso Deus. “O bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas”. Com estas palavras que provêm do coração de Jesus, Bom Pastor, desejo iniciar esta mensagem no dia em que começo o pastoreio e cuidado desta Diocese de Juína, em obediência à Sua Santidade, o Papa, Bento XVI. Se, “Evangelizar” foi o Lema que constituiu a missão do Bispo antecessor, Dom Franco Dalla Valle, a missão pastoral não é outra coisa senão anunciar a mesma Boa Nova do Reino por parte de todo cristão. Evangelizar com renovado ardor e com métodos novos. A missão do Pastor significa pastorear “uma porção do povo de Deus”, no sentido pleno da vida deste povo. Alegrar-se com quem se alegra e chorar com quem chora. Sofrer com os que sofrem, e convocar para a unidade os que lutam para antecipar os sinais do Reino de Deus.  “Que o rebanho não pereça por falta de Pastores, e nem ao Pastor falte a obediência do rebanho”. 

Senhores bispos aqui presentes e bispos representados, estimados padres diocesanos incardinados e padres missionários a serviço desta Diocese, padres religiosos de todas as congregações ou sociedades, do Brasil e do exterior. Somos verdadeiramente uma Igreja católica na compreensão do sentido universal. A minha saudação aos padres da África, aos padres da Irlanda, aos padres das Filipinas, ao padre Roberto da Itália, Diocese de Asti que representa a Dom Francisco, Bispo Diocesano, ao Padre Afonso da Bélgica. Minha acolhida e bênção a todas as irmãs consagradas de todas as congregações, além-fronteiras e do Brasil. Irmãos e irmãs, líderes religiosos de outras Igrejas. Autoridades civis, eclesiásticas, militares, autoridades jurídicas, lideranças políticas, funcionários públicos, e representantes dos mais diversos segmentos de nossa sociedade e de nossa Diocese. Amigos Povos Indígenas. Seminários e Sedac, ambientes responsáveis pela formação cristã. Agentes de pastoral e lideranças leigas, servidores do Povo de Deus nesta Diocese de Juína. Amigos de Antônio Prado, minha terra, meus familiares, amigos representantes da Diocese de Caxias do Sul. Aos amigos da cidade de Cuiabá e Várzea Grande. A todos os lembrados e os não mencionados, a minha saudação cordial e fraterna.

Em primeiro lugar, sinto-me alegre, e na paz, porque confiando na total misericórdia de Deus dei o meu SIM ao pedido de Sua Santidade, o Papa, Bento XVI para estar à frente desta Diocese. Na celebração do Ano Paulino lembrei-me e assumi o que disse o Apóstolo: “Eu sei em quem depositei a minha confiança”; estou certo de que posso contar com a generosidade e colaboração de todos, como forma de voluntariado e disponibilidade para o serviço; tenho consciência também, que as características particulares de cada batizado, nos unem na mesma direção, com os olhos atentos no horizonte e com o coração aberto para a “vida em abundância para todos”. Desde o dia da minha Eleição Episcopal, (12, de novembro de 2008) sinto a força que vem da oração feita por parte de todos. Meu muito obrigado. A fidelidade e a perseverança no seguimento do Senhor Jesus, nos impele para o chamado de sermos “discípulos e missionários de Jesus Cristo”, como nos convoca a V Conferência Latino-Americana de Aparecida.

Em segundo lugar disse sim a este Apostolado, porque eu sei que posso confiar na nova missão com a ajuda e a solidariedade do episcopado deste Regional Oeste2, característica esta que sempre me chamou a atenção. A amizade e a comunhão, sempre visível, são motivo de alegria, esperança e certeza de que esta Igreja Particular não está sozinha e nem o seu Bispo.  Desejo e espero poder contribuir para o fortalecimento da corresponsabilidade entre nós irmãos no episcopado na caminhada de unidade e visível comunhão da Igreja deste Estado do Mato Grosso.

Em terceiro lugar, a Diocese de Juína não nasceu hoje. Esta Diocese carrega em sua esperança a história que se construiu com muita luta e trabalho, fé e oração, suor e sangue de mártires vivos e mártires da glória.  Desejo que a alegria, a paz, a dignidade e o bem estar de todos se faça perceber como fruto da verdadeira justiça fundamentada no Evangelho de Jesus.

A mãe terra de Deus, dada a todos, ainda sofre muito por causa do egoísmo. Somos um país farto e abundante em todos os sentidos, mas ainda marcado pela mão forte do oportunista que concentra as oportunidades nas mãos de poucos, onde o mundo padece. Onde se ajunta riqueza, ao lado se acumula a pobreza, a violência e a marginalidade. Ao lado do Alfaville cresce a Alfavella. Como disse certo analista crítico: “metade da humanidade não come e metade não dorme com medo daqueles que não comem”. É preciso universalizar a solidariedade e a partilha como a arte sagrada que tece a verdadeira vida.

Queridos irmãos e irmãs desta floresta amazônica, bioma de Deus, do Brasil e do mundo, desde sempre Deus aguarda atitudes de Cuidado, de respeito e amor, a fim de que as gerações de hoje e de amanhã possam alimentar-se com dignidade. As catástrofes naturais de ontem e de hoje exprimem o grito da natureza sem perdão, em vista da atuação sem limites e agressão da mão humana. De outra parte não basta proibir o desmatamento, é preciso pensar um novo modelo de desenvolvimento inteligente, sensato e capaz de contribuir com o bem estar social de todos, porque “a paz é fruto da justiça”. Pensar de maneira conjunta um desenvolvimento sustentável onde se contemple a pessoa humana integrada na natureza de forma harmoniosa e agradável.

Em quarto lugar, prezados irmãos e irmãs sabemos que esta Diocese caminha em ritmo acelerado no processo de evangelização de maneira integral. É preciso aqui fixar o homem à terra. Nesta Diocese, os filhos de Deus têm o direito de viver, sonhar e plantar suas raízes. A migração desgasta a esperança.  Embora sendo uma Diocese jovem, com apenas onze (11) anos de história, já foi traçado o seu caminho, o seu perfil e o seu rosto. Desde o primeiro batizado que aqui chegou até Dom Franco Dalla Valle, primeiro Bispo diocesano, esta Igreja Particular, Diocese de Juína soube e decidiu evangelicamente seus rumos em favor do bem de todos.

É preciso consolidar esta Igreja com a firmeza dos princípios do Evangelho sem tornar-se subserviente a nenhuma ideologia. Desejo que a Palavra de Deus seja anunciada com a plena liberdade, porque somente a “verdade vos libertará”. Através de uma catequese clara e profunda, centrada na pessoa de Jesus Cristo, a pessoa humana encontre o norte orientador para a sua vida. Na vivência da Liturgia por meio dos Sacramentos, em que habitam os grandes sinais da graça invisível do amor de Deus, celebrados na Igreja, formamos a comunidade de fé e amor. Mediante o processo de formação permanente através de cursos, retiros e encontros, aprofundamos a autêntica fé no Senhor da vida. No uso correto dos Meios de Comunicação Social: Rádio, TV, Jornal e outros veículos de comunicação, Jesus precisa tornar-se conhecido, amado e seguido por todos. No atendimento solícito da pastoral dedicando cuidado pessoal através da pastoral da acolhida aprendemos a amar a Cristo naquele que vemos à nossa frente. Por meio das pastorais sociais e movimentos apostólicos, a Igreja vive a vontade de Deus como forma viva da prática da caridade fraterna, porque “Deus é amor”. Um carinho todo especial merecem os jovens. “Uma Igreja sem juventude é uma Igreja desfigurada”, disse o Papa, Bento XVI. A pastoral da criança, as adoções à distância, os Colégios e as escolas de formação são expressões vivas da esperança que habita no coração da humanidade.

Em quinto lugar, a construção do Reino de Deus é tarefa de ovelhas e Pastor. Pastor e ovelhas comungamos do mesmo pão da Palavra e do pão da Eucaristia. Defender a vida, promover a justiça e praticar a solidariedade é convite dirigido a todos. Não existe pastor sem ovelhas e não subsistem as ovelhas sem a presença do Pastor. Jesus Cristo será para sempre o nosso “caminho, nossa verdade e nossa vida”, nosso guia, portanto.

Firmar esta Igreja Particular sobre Cristo rocha firme, de acordo com o apelo da unidade e da comunhão (Lumem Gentium), e uma Igreja pastoral e missionária conforme (a Gaudium et Spes) temos as luzes tão aclamadas pelo Concílio Ecumênico Vaticano II que dão a segurança na caminhada visível da fé e da esperança do povo de Deus, e Sacramento de Salvação.

Por fim, o múnus de governar seja marcado pelo devido respeito às orientações do Código de Direito Canônico, à luz das diretrizes da ação evangelizadora da Igreja do Brasil, na perspectiva de um planejamento pastoral de conjunto. O múnus de santificar aconteça através da celebração dos sacramentos na vida da Igreja, e o múnus de ensinar seja visualizado através de um estudo sério da Palavra de Deus, conhecimento dos Documentos Pontifícios, Encíclicas Papais, Conclusões do Concílio Vaticano II e Conclusões das Conferências latino-americanas, no encontro pessoal com Cristo e conhecimento da pessoa Dele, vivido e anunciado sob orientação da Doutrina Social da Igreja. A Filosofia e a Teologia, ciências da verdade e da fé orientem nosso caminhar sempre aberto e vigilante na busca permanente da verdade.

Obrigado Dom Milton, Administrador Apostólico. Obrigado a todos os colaboradores, que “suportaram o calor do sol”, o cansaço do dia e a distância, carregando todo o peso, neste tempo de espera. Deus abençoe a todos pelo serviço dedicado.

“Guariba, Colniza, Aripuanã, (Conselvan), Juruena, Castanheira, Rondolândia, Nova União, Cotriguaçu, Brasnorte, Rikbatsa, Santo Agostinho, Filadélfia, Catedral, FontanilLas, Terra Rocha, Seminário Maior e Menor, Propedêutico, Obras Sociais, Movimentos Apostólicos, Oratórios e pastorais, Mosteiro, Cúria, Colégios”: Deus proteja e abençoe nossa Igreja.

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