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Finados



Santo e piedoso pensamento, este de orar pelos mortos(2 Mc 12,45). É esta a ação de todos os que fazem do dia de finados não um dia de pessimismo e decepção para com a fé cristã, antes, um momento de renovação da fé batismal confiantes e confortados pela Palavra de Deus. A Tua Palavra não passará, assim cantamos. Outra letra de uma canção diz: de ti saímos, a ti é que voltamos, na caminhada que neste mundo damos...”. De fato, somos peregrinos, caminheiros nas estradas desta vida terrena que o criador de todas as coisas nos concede.

 

O dia de finados recorda para nós da efemeridade, transitoriedade da vida. Estamos aqui de passagem, não temos cadeira cativa vitalícia aqui na terra. Tudo passa. Eterno somente Deus.

 

A bem da verdade, ter presente a ideia de que um dia tudo terá um fim em nossa existência deveria nos fazer viver bem e melhor a nossa fé cristã. No temor do Senhor em vista da eternidade; assim não haverá o que temer diante da morte a qual são Francisco de Assis chamava de irmã. No Eclesiástico lemos: “Não temas a sentença da morte. Lembra-te dos que te precederam e dos que virão depois de ti: é um decreto que o Senhor pronunciou sobre todo o ser vivo”(Eclo 41,5).

 

O apóstolo Paulo nos alenta na esperança: “No dia em que a nossa morada terrestre, a nossa tenda, for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no céu, uma morada eterna não construída por mãos humanas”(2 Cor 5,1).

 

Rezar pelos falecidos, visitar cemitérios, colocar flores sobre os túmulos, acender velas, chorar pelos que não estão mais neste mundo é sinal de comunhão e amor indestrutíveis apesar da morte física. É o amor divino que no Seu mistério une vivos e falecidos, assim rezado na Sagrada Liturgia. É dia oportuno, singular e riquíssimo para um descanso em Deus. Descanso para refletir, meditar, contemplar, rezar por nós próprios ainda peregrinos e renovar a nossa fé em Jesus Cristo, fundamento desta, ressuscitado, vivo! A propósito prega o apóstolo Paulo: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou, e se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia, e vazia é também a vossa fé”(1 Cor 15,13-14).

 

O tempo é ceifador implacável de tudo o que há. O Reino de Deus, da parte de Deus já está no meio de nós; da nossa parte ele, o Reino, espera que façamos nossa parcela para que se manifeste sempre mais. Neste sentido as virtudes teologais, ou seja, a fé, a esperança e a caridade são dons para a nossa peregrinação terrestre. Nos fortalecem, nos santificam, nos convertem.

 

Tudo é graça, tudo é dom de Deus. A cruz de Jesus encimando os túmulos de nossos cemitérios é sinal e certeza da vitória de Cristo sobre a morte. Garantindo à Marta a ressurreição de Lázaro Jesus disse:”Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?”(Jo 11, 25-26).  Com Marta, jubilosos, cada um de nós pode responder ao Mestre: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”(11,27).

Pe. João Batista Blancke

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